A ideia de que as atividades humanas, notadamente a emissão de gases de efeito estufa, seriam as principais responsáveis por alterações no clima global transformou-se, nas últimas décadas, em uma narrativa praticamente onipresente nas agendas políticas, econômicas e acadêmicas.
No centro desse discurso está o conceito de “pegada de carbono”, apresentado como uma métrica objetiva para quantificar as emissões associadas à produção e consumo de bens e serviços humanos. A partir desse indicador, múltiplas iniciativas foram desenhadas: acordos internacionais, estratégias de mitigação, políticas públicas e transformações industriais inteiras passaram a orbitar em torno da busca por “baixar o carbono”.
Contudo, por trás dessa aparente solidez conceitual, encontram-se incertezas ainda substanciais. As revisões robustas apontam que não há sequer uma definição consensual e academicamente consolidada do termo “carbon footprint” [1-2]. Discrepâncias metodológicas surgem desde a delimitação dos gases incluídos (deve-se considerar apenas CO₂? E o metano? E o N₂O?) até a definição dos próprios limites do sistema de avaliação (devem ser contabilizadas apenas emissões diretas ou incluir também as indiretas e os efeitos de uso do solo?).
Além disso, permanece pouco consensual se o carbono deve ser mensurado exclusivamente como fluxo de massa (toneladas emitidas) ou como unidade de área equivalente, como propõem algumas extensões baseadas na lógica de “ecological footprint” [1-2].











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