Classicamente, os ácidos biliares são indispensáveis para a digestão de gorduras. Eles emulsificam os lipídios da dieta, ampliam a superfície de contato para a ação da lipase pancreática, participam da formação de micelas e permitem a absorção intestinal de ácidos graxos, monoglicerídeos, colesterol e vitaminas lipossolúveis. Mas além disso, os ácidos biliares podem ser entendidos como produtos do metabolismo do colesterol que, além de viabilizar a absorção de gorduras, funcionam como moléculas sinalizadoras capazes de modular glicemia, metabolismo lipídico, resposta inflamatória, integridade da mucosa intestinal, composição da microbiota e gasto energético.
Em vez de serem vistos apenas como “detergentes biológicos”, eles passam a ser interpretados como mensageiros metabólicos que conectam fígado, intestino, microbiota e tecidos periféricos em torno da resposta à refeição. Compreender esse conjunto de funções muda a forma de pensar sobre alimentação, microbiota, resistência à insulina, inflamação intestinal e uma série de condições clínicas cotidianas.











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