Quantas vezes você, nutricionista, já se pegou fazendo recomendações nutricionais impecáveis, mas sem saber explicar como aquele prato sugerido poderia ser, de fato, preparado? É curioso como podemos saber de cor as funções metabólicas dos nutrientes, mas, na prática, tropeçamos quando o assunto é comida — comida com história, cheiro, textura e, principalmente, sabor.
Essa desconexão levanta uma questão importante: será que nos concentramos tanto na ciência por trás dos nutrientes que esquecemos do que realmente importa para quem está do outro lado da mesa? Para a maioria das pessoas, o que faz diferença é o prazer de comer, o compartilhamento à mesa, o impacto visual e emocional do que se serve no prato.
Se a Nutrição se propõe a promover saúde por meio da alimentação, faz sentido que o profissional compreenda profundamente a experiência de comer e todo o contexto cultural e sensorial que o envolve.
No entanto, essa desconexão não é um mero acaso – é fruto de uma formação focada quase exclusivamente no que acontece “da boca para dentro”, deixando em segundo plano a comida como cultura, experiência e história.
A verdade é que, antes de existir Nutrição como ciência, havia gastronomia. A arte de cozinhar, desenvolver sabores e criar conexões à mesa é tão antiga quanto a própria humanidade. Será que os nutricionistas não teriam muito a ganhar ao buscar na história e na prática gastronômica lições para enriquecer sua atuação?











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