Classificar a pessoa com obesidade apenas pelo IMC, dizer o que ela está fazendo de errado, se posicionar como “especialista” em emagrecimento, tentar “educar” o indivíduo, assustá-lo quanto as consequências metabólicas e principalmente responsabilizá-lo por sua condição de saúde são atitudes comuns de médicos e nutricionistas. Todas essas atitudes, mesmo na melhor das intenções, não ajudam em nada o acompanhamento do paciente com obesidade – e, inclusive, podem colaborar para a piora do paciente, tanto do ponto de vista de saúde mental, quanto do ponto de vista metabólico [1-4].
Para sair deste modus operandi, é importante que o profissional reconheça o seu nível de viés com o peso (weight bias) – ou seja, sua inclinação para formar um julgamento baseado no peso corporal do indivíduo – pois é justamente esse viés que pode guiá-lo a atitudes preconceituosas. O problema é que crescemos em uma sociedade que associa o peso corporal a algo errado, algo sujo, algo imoral, algo vergonhoso e, ainda que diversos estudos mostrem o contrário, algo necessariamente não saudável.
O nome disso é estigma com o peso, algo que se faz presente especialmente entre nutricionistas e estudantes de nutrição. Mas como fugir desta lógica, se a principal demanda para nutricionistas hoje é justamente o emagrecimento?











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