Obesidade não é transtorno alimentar. Mas tratar esses temas como se vivessem em universos separados não é mais possível na prática clínica do nutricionista. Uma revisão de 2024 descreve obesidade e transtornos alimentares como condições complexas que compartilham fatores de risco e de manutenção, especialmente quando coexistem [1]. É por isso que, para qualquer nutricionista comprometido com a saúde dos seus pacientes, mesmo que não atue diretamente na área, este conhecimento é fundamenral. “Todo nutricionista deveria ter esse conhecimento. Não porque todos precisam saber tratar, mas porque todos devem saber prevenir, identificar e encaminhar para o tratamento adequado”, aponta Muriel Hamilton Depin, nutricionista e Diretor de Comunicação da Associação Brasileira de Transtornos Alimentares (ASTRALBR).
Não é de hoje que os dados da literatura acadêmica ajudam a desmontar a falsa distância entre esses campos. Em um estudo clássico de 2012, a prevalência de obesidade ao longo da vida em pacientes com transtornos alimentares foi de 28,8%, variando de 5% na anorexia nervosa a 87% nos transtornos por compulsão [2]. “Nem toda pessoa com obesidade tem um transtorno alimentar, mas quase toda pessoa com transtorno alimentar tem alguma questão relacionada à obesidade, especialmente o medo de engordar”, resume Muriel.











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