A primeira coisa que provavelmente vem à sua cabeça quando escuta “bulimia” é o vômito. E, ok, faz sentido. É a imagem mais conhecida e, não raro, a única que muita gente tem. Só que reduzir a bulimia a isso é não entender o transtorno. E mais: é não perceber o quanto ele se camufla, se disfarça e, muitas vezes, passa batido, inclusive na frente de profissionais de saúde. Bulimia nervosa (BN) não é só sobre quem come e vomita. É sobre uma relação caótica com a comida, com o próprio corpo e com o desespero que leva uma pessoa a recorrer a estratégias que, do lado de fora, podem até parecer exageradas, incoerentes ou incompreensíveis… mas que, pra quem vive, fazem todo o sentido.
A BN, como conhecemos hoje, não foi sempre reconhecida como um transtorno alimentar distinto. Foi em 1979 que o psiquiatra britânico Gerald Russell descreveu formalmente um grupo de pacientes que apresentava episódios recorrentes de ingestão alimentar excessiva, acompanhados de um medo intenso de ganhar peso e da adoção de comportamentos compensatórios para evitar esse ganho. Eram pacientes que, até então, eram classificados como casos de anorexia nervosa [1].











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