No começo de janeiro, o consultório vira uma espécie de “sala de recomeços”. Chega o paciente que abre a conversa com um suspiro e um relatório moral (“eu exagerei nas festas”), o que já vem acompanhado da proposta-punição (“então agora eu vou cortar tudo”). Chega o que jurou que “segunda começa”, mas segunda virou quarta, e agora ele quer esperar “o momento certo” — como se mudança de comportamento dependesse de alinhamento das luas de Saturno e não de condições mínimas no mundo real. Chega também quem está genuinamente motivado, mas com pressa de férias de verão: quer resultado rápido, quer regra rígida, quer um trilho sem curvas.
E, no meio disso tudo, aparece um padrão que passa batido: quase ninguém está falando só de comida; estão falando do que significa ter falhado. É aí que janeiro fica perigoso — não porque é o momento depois das festas, e sim porque a ideia de “deslize” ganha um peso enorme na interpretação. É exatamente nesse ponto que a psicologia ajuda a gente a acolher melhor e a entender por que o “agora eu começo” frequentemente já cai antes do carnaval.











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