A cultura da dieta pode ser entendida como um conjunto de valores, crenças e práticas que reforçam a ideia de que corpos mais magros são moralmente superiores, mais saudáveis, mais belos e mais desejáveis do que corpos maiores. Trata-se de uma lógica estrutural que ultrapassa o ato de fazer ou não uma dieta: ela organiza percepções, sustenta estigmas e orienta políticas públicas, discursos médicos, relações familiares e decisões cotidianas [1].
O emagrecimento é promovido como uma espécie de obrigação moral, enquanto o ganho de peso é tratado como descuido, fraqueza ou falha pessoal. Nesse cenário, alimentos deixam de ser apenas fontes de nutrição e prazer, passando a ser julgados com base em uma lógica binária de certo e errado, permitido e proibido. Pessoas que seguem planos alimentares restritivos são frequentemente elogiadas por sua “força de vontade”, ainda que vivenciem sofrimento físico e mental para se manter dentro dessas regras.











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