Nos últimos dezesseis anos, o termo “ultraprocessados”, para se referir a comida, se consolidou como um dos pilares das políticas alimentares de saúde pública. Presente em diretrizes oficiais, reportagens, intervenções nutricionais e discursos de especialistas, ele parece traduzir com simplicidade uma ideia poderosa: quanto mais industrializado um alimento, maior seu potencial de causar danos à saúde.
Mas, à medida que sua popularidade crescia, também cresciam as dúvidas sobre sua precisão, utilidade e consistência científica – especialmente fora do Brasil. Um documento técnico emitido recentemente pela ANSES (Agence nationale de sécurité sanitaire de l’alimentation, de l’environnement et du travail – agência francesa semelhante à ANVISA) e cartas abertas de cientistas reforçaram a necessidade de, no mínimo, revisar o uso desse conceito.
Afinal, como conduzir políticas públicas ou orientar pacientes a partir de uma categoria que já não comporta consenso?
Ultraprocessados: Por que cientistas não querem mais usar esse termo?
Cientistas questionam o termo “ultraprocessado” e apontam limites da classificação NOVA para orientar políticas e práticas em nutrição.

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