Nas últimas décadas, exames laboratoriais passaram a ocupar um lugar central na percepção de cuidado em saúde. Muitos pacientes chegam ao consultório nutricional com a expectativa de realizar “check-ups completos”, associando a solicitação de exames à qualidade do atendimento recebido. Essa cultura do exame como prova de cuidado, embora compreensível, traz desafios importantes para a prática clínica da nutrição.
Quando resultados laboratoriais passam a ser vistos como ponto de partida, e não como parte de um processo avaliativo mais amplo, existe o risco de reduzir a atuação do nutricionista a números e marcadores isolados, esvaziando o raciocínio clínico, a escuta qualificada e a análise do contexto alimentar e comportamental do indivíduo. Diretrizes técnicas e documentos institucionais reforçam que exames devem ser utilizados como ferramentas de apoio, e não como substitutos da avaliação nutricional como um todo1,2.











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