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Estratégias nutricionais na prevenção do câncer do colo de útero

Estratégias nutricionais na prevenção do câncer do colo de útero

 

No Brasil, o câncer do colo de útero é a terceira neoplasia maligna mais comum nas mulheres, sendo superado pelos cânceres de pele e de mama, e a quarta causa de morte por câncer em mulheres.

Para fechar o mês de março, com foco na saúde da mulher, trazemos hoje essa patologia que também teve destaque em campanha do Ministério da Saúde, como Março Lilás, para prevenção e controle do câncer do colo de útero.

 

Fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de colo do útero

A doença se desenvolve a partir de lesões cervicais precursoras que se apresentam em graus evolutivos, do ponto de vista cito-histopatológico e são classificadas como neoplasia intraepitelial cervical (NIC) de graus I (lesão de baixo grau), II e III (lesões de alto grau).

Segundo  dados  coletados  pelo  Instituto Nacional do Câncer (INCA),  os  principais fatores  de  risco  para  o  desenvolvimento  deste diagnóstico são:

  • início precoce das atividades sexuais, multiparidade, multiplicidade  de  parceiros sexuais,  parceiros  sexuais  masculinos  com  múltiplas parceiras;
  • lesão genital provocada por infecção pelo vírus papilomavírus humano (HPV) do tipo oncogênico;
  • infecções  genitais  de repetição;
  • uso  prolongado  de  anticoncepcionais;
  • tabagismo;
  • baixas condições  socioeconômicas;
  • e alimentação pobre em alguns micronutrientes, principalmente  vitamina  C,  betacaroteno  e  folato

 

Qual a conexão da alimentação na prevenção do câncer do colo de útero?

Ainda são raros estudos que encontrem evidências consistentes dos fatores alimentares com o desenvolvimento de câncer do colo de útero.

Porém, sabe-se que a inflamação sistêmica ocasionada especialmente pela infeção do HPV, leva um organismo ao estresse oxidativo e, este, pode ser controlado através da alimentação.

Consumo de alimentos antioxidantes, probióticos, controle de Índice de Massa Corporal (IMC) e diabetes estão entre as possíveis associações entre alimentação e câncer de colo de útero, em estudos recentes.

 

Dieta pro-inflamatória e consumo de antioxidantes como estratégia de prevenção

Um estudo transversal Italiano, publicado em 2021 - A Maugeri et al, Antioxidant and inflammatory potential of diet among women at risk of cervical cancer: findings from a cross-sectional study in Italy - avaliou em um centro de triagem de câncer do colo de útero, o índice inflamatório da dieta consumida pelas mulheres e o risco de desenvolvimento de lesões cervicais graus II ou III.

Foram avaliados consumo conforme abaixo:

  • consumo de energia total, proteínas, carboidratos, fibras, gorduras totais, ácidos graxos mono e poli-insaturados, gorduras saturadas, gorduras trans,  colesterol
  • vitamina A, vitamina C, vitamina D, vitamina E, vitamina B12, vitamina B6, β-caroteno, ácido fólico, niacina, riboflavina, tiamina
  • ferro, magnésio, selênio, zinco
  • flavonoides e antocianinas
  • café, chá preto e chá verde
  • e de álcool

 

Os resultados demonstraram que o consumo de dieta do padrão mediterrâneo, com potencial anti-inflamatório e antioxidante, são menos propensas a terem lesões mais graves no útero, independente da presença do vírus HPV.

Em 2009, uma revisão bibliográfica realizada no Brasil por Sampaio LCAlmeida CF já relacionava o consumo de vitaminas antioxidantes como A, C e E e seus benefícios na prevenção.

A  vitamina  A,  através  dos  carotenoides,  tem  capacidade  de  inibir a  formação  dos  radicais  livres,  sendo  também  potentes  moduladores  da  diferenciação  celular,  o  que  confere proteção  para  inibir  o  desenvolvimento  do  HPV. 

As vitaminas C e E podem evitar a formação de carcinógenos, além de aumentar a imunidade.

 

Sendo assim, estimular a alimentação saudável com incentivo ao consumo de verduras, legumes e frutas, deve ser considerada uma medida de prevenção e controle.

 

Probióticos também podem fazer parte na prevenção ao câncer

Estudos têm demonstrado que os probióticos têm vários efeitos sobre os processos biológicos.

Um dos mais proeminentes aspectos em que os probióticos desempenham um papel é no campo do câncer: existem vários estudos que se concentraram em funções dos probióticos no diagnóstico, prevenção ou tratamento do câncer.

Quando se fala em prevenção, o uso de probióticos, especialmente Lactobacillus plantarum, tem efeito inibitório no processo de carcinogênese, indução de apoptose, inibição da proliferação, redução da inflamação e supressão de metástases e pode ser uma estratégia viável em populações saudáveis.

Durante o tratamento, alguns quimioterápicos como a cisplatina e a radioterapia - localizada em pelve - pode levar a efeitos gastrointestinais, principalmente alterações intestinais. Nesses casos, o uso de probióticos é recomendado para controle.

 

Índice de massa corporal e diabetes como fatores de risco ao desenvolvimento do câncer do colo de útero

Um estudo transversal com mais de 29.000 mil mulheres, investigou como possíveis fatores de risco para o câncer do colo de útero, tabagismo passivo, diabetes, índice de massa corporal (IMC) e horário de trabalho.

Controle de peso é um fator associado a prevenção do câncer em geral, e o estudo de Kim et al, observou um risco aumentado de câncer do colo de útero em mulheres com faixa maiores de IMC.

Além de associações interessantes sobre a imagem corporal negativa, preconceito por parte de prestadores de cuidados em saúde, maus comportamentos de saúde e comorbidades, afetando a realização de exames adequados de câncer do colo de útero antes do diagnóstico.

O Diabetes, principalmente quando tem o cuidado negligenciado e os exames de glicemia e insulina alterados, se torna um fator de risco, trazendo a tona condições para um ambiente inflamatório e propício para o desenvolvimento do câncer.

 

Como o nutricionista pode contribuir na prevenção ao câncer do colo de útero?

Trazendo essa discussão para a prática clínica do nutricionista, quando pensamos em prevenção do câncer do colo de útero, é importante incentivar o consumo de frutas, verduras e legumes, a prática de atividade física, ficar atentos aos fatores de risco.

E mais: é importante atuar contra a gordofobia no atendimento de saúde, que pode afastar pacientes dos seus cuidados essenciais e preventivos.

 

Referencias Bibliográficas:

Maugeri, A., Barchitta, M., Magnano San Lio, R., Scalisi, A., & Agodi, A. (2021). Antioxidant and inflammatory potential of diet among women at risk of cervical cancer: Findings from a cross-sectional study in Italy. Public Health Nutrition, 1-9. doi:10.1017/S1368980021001944.

Sampaio LC, Almeida CF. Vitaminas Antioxidantes na Prevenção do Câncer do Colo Uterino.  Revista Brasileira de Cancerologia 2009; 55(3):  289-296.

Jahanshahi, M., Maleki Dana, P., Badehnoosh, B. et al. Anti-tumor activities of probiotics in cervical cancer. J Ovarian Res 13, 68 (2020). https://doi.org/10.1186/s13048-020-00668-x.

Kim, J.Y., Lee, D.W., Kim, M.J. et al. Secondhand smoke exposure, diabetes, and high BMI are risk factors for uterine cervical cancer: a cross-sectional study from the Korea national health and nutrition examination survey (2010–2018). BMC Cancer 21, 880 (2021). https://doi.org/10.1186/s12885-021-08580-3

 

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