[ editar artigo]

Existe relação entre a deficiência de Vitamina C e o comprometimento cognitivo?

Existe relação entre a deficiência de Vitamina C e o comprometimento cognitivo?

Vitaminas são importantes compostos orgânicos que atuam de forma a manter a homeostase do nosso organismo. Obtidas, em sua maioria, via alimentação, a deficiência de alguma das vitaminas pode acarretar em complicações tanto na saúde quanto no bom funcionamento de sistemas. 

 

Esses micronutrientes são organizados em diferentes tipos: vitamina A, complexo B, C, D, E e K e cada uma tem uma série de funções.

No caso da Vitamina C, foco no presente artigo, ela exerce alguns papéis como:

  • cofator de enzimas;

  • auxílio na absorção de ferro não-heme;

  • auxilia na formação de ácidos biliares;

  • atua no sistema imunológico;

  • síntese de hormônios;

  • síntese de corticosteróides e aldosterona;

  • síntese de colágeno; 

  • regulação da produção e secreção de neurotransmissores; 

 

 Sendo todas estas funções interligadas, podemos pensar em quais seriam as principais problemáticas de uma deficiência de Vitamina C, quais seriam os sistemas mais afetados?

Existiriam outras consequências para além daquelas ligadas ao escorbuto?

O grande questionamento: como a Vitamina C é capaz de interferir na atividade cognitiva?

E foi dentre estes questionamentos que os autores do estudo aqui referido levantaram a pergunta que norteia nosso artigo de hoje: haveria alguma associação entre a deficiência de Vitamina C e o comprometimento cognitivo?


 

Entendendo o contexto da vitamina C

Para entendermos um pouco mais sobre o estudo, precisamos primeiramente pensar em qual mecanismo é a base do questionamento levantado pelos autores.

A vitamina C é um importante cofator de diversas enzimas do organismo humano, sem a qual estas não funcionam. Ainda, enzimas são importantes estruturas, das quais as reações químicas são altamente dependentes.

 

Ou seja, se não há cofator, a enzima não funciona e sem isso, as reações não acontecem. 

 

Uma destas reações afetadas pela Vitamina C é a transformação da dopamina em noradrenalina, um importante neurotransmissor que afeta inúmeras vias de sinalização do nosso organismo.

Para além disso, esta vitamina também está ligada a secreção de outros neurotransmissores e também a liberação de catecolaminas e acetilcolina.

 

Com isso, podemos dizer que a vitamina esta ligada à função cerebral.

 

Então, estaria a Vitamina C ligada ao processo cognitivo?

 

Em busca de respostas...

Para tentar solucionar esta questão, os pesquisadores trabalharam com os idosos com idade igual ou superior a 75 anos, admitidos na unidade de geriatria do Flinders Medical Center, na Austrália.

Estes idosos não poderiam ter nenhum dos critérios de exclusão:

  • falta de consenso em participar do estudo;

  • estar recebendo cuidados de fim da vida;

  • receber suplementação de vitamina C;

 

O estado cognitivo destes idosos foi mensurado utilizando o Mini Exame do Estado Mental (MMSE), uma escala de avaliação cognitiva, e o Clock-Drawing Test (CDT).

O MMESE é um exame que visa a percepção de alguns fatores ligados ao estado mental do paciente, sendo assim são analisados: orientação temporal e espacial, memória rápida e de registro, atenção e concentração, linguagem verbal e escrita e percepção visual e espacial.

São atribuídos pontos a cada um destes fatores e uma somatória igual ou inferior a 24 classifica a função cognitiva do paciente como “anormal ou indicativo de comprometimento”, sendo a pontuação máxima 30 pontos.

Para ter uma melhor compreensão da função cognitiva dos idosos, também foi aplicado o CDT. Neste, foi solicitado que pacientes preenchessem um círculo, anteriormente desenhado, com os dados de um relógio analógico que marcasse o horário de 11 horas e 10 minutos.

Com este teste, é possível ter maior noção do comprometimento visual, execução de movimentos e coordenação motora, lógica, compreensão e conhecimento de números e linguagem. 

Além destes acima, os pacientes também foram submetidos a testagens que indicavam seus respectivos estados de depressão e humor (EFS), risco nutricional  (MUST), levantamento de medicações, entre outros fatores que importavam ao estudo. 

 

No estudo, foram considerados pacientes com comprometimento cognitivo, aqueles que tiveram um resultado de MMSE menor que 24 pontos; e foram considerados com déficit de Vitamina C, os pacientes com níveis inferiores 11 μmol/L. 

 

O que ficamos sabendo

 Sobre os pacientes do estudo: foram 160 que contemplaram todos os critérios de inclusão. Destes, 60% eram mulheres e a média de idade de todos era de 84,4 anos, a grande maioria vivia em sua própria casa, alguns ainda com seus parceiros.

Ainda, cerca de 81,3% foram considerados polifarmácia e a principal causa de admissão foi “quedas”.

O resultado médio do MMSE foi de 24,6; totalizando 69 pacientes sem comprometimento cognitivo e 91 com tal comprometimento. E não foi encontrada diferença significativa entre os sexos, estado de nutrição e estado civil, entre os pacientes com e sem atividade cognitiva comprometida. 

 

A média do nível de vitamina C foi de 26,8 μmol/L, com 118 pacientes sem déficit e 42 pacientes classificados com déficit desta vitamina.

E ao realizar a comparação de resultados de MMSE e níveis de vitamina C, foi observado que aqueles que tinham o déficit do composto, também pareciam apresentar maiores níveis de comprometimento cognitivo.

 

E após análises, foi constatado que o comprometimento cognitivo estava associado ao déficit de Vitamina C, resultado de uma menor pontuação do MMSE, mas o mesmo não pode ser observado no exame CDT. 

 

O artigo, então. esclarece uma necessidade de acompanhamento dos níveis de Vitamina C que vai além da doença de escorbuto e interfere diretamente na questão da atividade cognitiva e do envelhecimento saudável. 

 

 Então é de extrema importância que nutricionistas façam o acompanhamento contínuo e, quando necessária, a suplementação deste e outros compostos que interferem diretamente na homeostase do organismo. 

 

 O que achou deste artigo, nutri? Nos conte aqui nos comentários! 

Referências Bibliográficas

Sharma, Y.; Popescu, A.;
Horwood, C.; Hakendorf, P.;
Thompson, C. Relationship between
Vitamin C Deficiency and Cognitive
Impairment in Older Hospitalised
Patients: A Cross-Sectional Study. [Internet]. 2022 Feb [cited 2022 Jun 2].
Antioxidants 2022, 11, 463. https://
doi.org/10.3390/antiox11030463

Nutrição Funcional e Fito

Academia da Nutrição
Academia da Nutrição
Academia da Nutrição Seguir

Queremos DESCOMPLICAR a ciência da nutrição. Dar voz aos profissionais de saúde e abrir diálogo com todos envolvidos, incluindo marcas e produtos. Plataforma exclusiva para nutricionistas e estudantes da área. É DE GRAÇA E SEMPRE VAI SER.

Ler conteúdo completo
Indicados para você