[ editar artigo]

Compartilhando o conceito ''saudável'' com seu paciente

Compartilhando o conceito ''saudável'' com seu paciente

Sabemos que o consumo alimentar do ser humano é influenciado por diversos aspectos, incluindo a interação entre os fatores biológicos, sensoriais, socioeconômicos, culturais e psicológicos.

Diante deste contexto vivenciado diariamente na área de nutrição, incluindo nossas consultas com os mais diversos tipos de pacientes, hoje vamos abordar o tema: A mudança do conceito ‘’saudável’’ ao longo dos anos.

As pessoas estão cada vez mais preocupadas com a saúde, veja esse dado, você sabia que 43% dos consumidores brasileiros aumentaram o seu consumo de frutas e vegetais para se tornarem mais saudáveis no último ano? Além disso, segundo o levantamento do The  Hartman Group ( When Natural), 51% dos consumidores acreditam que alimentos e bebidas naturais são mais nutritivos.

Demonstrando na prática a evolução do consumidor e das tendências na área de saúde e bem-estar ao longo do tempo, separamos abaixo a caminhada e evolução dos produtos alimentícios ao longo do tempo:

ANOS 80:

Diet/Light: desde o início da comercialização dos alimentos diet a maioria dos consumidores associavam esses produtos apenas para pessoas com diabetes. Muitos eram apenas vendidos em farmácias e tinham um sabor residual terrível! Passando alguns anos e com mais alternativas de adoçantes, o consumidor passou a enxergar como produtos de baixo valor calórico e, consequentemente, permitidos para as pessoas que precisavam ou desejavam perder peso, mas depois vieram os light e os consumidores, em grande maioria, não identificavam as diferenças entre os termos.

 

ANOS 90- 2000:

Zero/Fit: a segunda era de produtos alimentares no mercado trouxe os produtos ‘’Zero’’, com a exclusão total de um ingrediente, logos os produtos mais comercializados eram ‘’zero açúcar’’, ‘’zero gordura’’, ‘’zero sódio’’ e ‘’zero calorias’’ com o intuído de ter uma comunicação mais clara e democrática, o zero era a evolução do diet e light, com sabor melhor e pensado para todos que desejavam perder peso, ou manter a forma. Já os produtos com os rótulos ‘’fit’’, não há nenhuma classificação do ministério da saúde, porém eram utilizados pelas marcas para promover os alimentos julgados mais ‘’saudáveis’’, principalmente em pães e massas integrais, por se acreditar que esses alimentos possuíam menor índice glicêmico.

 

ANOS 2010:

Free From (Livre de..): com a preocupação com a incidência de doenças e a aprovação do claim sem glúten pela FDA, Food and Drug Administration, órgão governamental dos Estados Unidos responsável pelo controle dos alimentos e medicamentos, a tendência de alimentos ‘’livre de..’’ cresceu entre a maioria dos consumidores que não possuíam intolerância ao glúten ou a doença celíaca, mas estavam em busca de um estilo de vida saudável ou da perda de peso e, viam nos produtos sem glúten um apelo saudável e natural. Com a falta de comprovação dos benefícios pela ciência, e os órgãos reguladores da profissão da nutrição falarem contrariamente à restrição de produtos ‘’free from’’ (livre de algum tipo de substância específica) na dieta de pessoas que não tenham intolerância, o mercado progrediu com o desenvolvimento de produtos sem aditivos e a inserção da descrição nos rótulos nutricionais de outros alergênicos como soja e trigo. Além disso, surgiram os alimentos com destaque ao valor de proteínas, probióticos em sua composição, vitaminas e minerais.

 

HOJE:

Naturalidade: por fim, a naturalidade é uma das tendências que mais se destacou nos últimos anos, o consumidor tem ficado cada vez mais atento ao que consome, de onde vem esse alimento e lendo os rótulos nutricionais. A busca por ingredientes simples, “de verdade”, que possam ser vistos e sentidos nos produtos cresce a cada dia. Deixamos apenas as calorias de lado e nos voltamos mais para a lista de ingredientes de um produto. Segundo a Mintel, 83% dos brasileiros maiores de 55 anos dizem que vale a pena gastar mais por produtos mais saudáveis. Com o foco na transparência com o consumidor em relação ao produto e seus processos, alimentos à base de plantas também estão ganhando cada vez mais espaço no mercado, comprovando que esta tendência é para todos, sejam eles vegetarianos, veganos, flexitarianos ou consumidores de proteína animal.

Esta evolução demonstra que a nutrição ganhou um significado mais amplo do que simplesmente nutrir o corpo e transcende para um ato político, de cidadania, uma responsabilidade com o indivíduo, o coletivo e o planeta. A partir disso, a preocupação com o meio ambiente, a origem dos alimentos, o controle do uso de agrotóxicos e de ingredientes geneticamente modificados, a forma de cultivo e como os animais são tratados e o consumo mais consciente de proteína animal, tornam-se os novos valores para uma alimentação e conceito saudável.

Nutri, como percebe esta nova realidade nos seus atendimentos? Estamos juntos nesta jornada de transformação da alimentação.

Fonte: 

FDA - US Food and Drug Administration [site]. [acesso em 15 fev 2021]. Disponível em: https://www.fda.gov/

Emagrecimento

Academia da Nutrição
Academia da Nutrição
Academia da Nutrição Seguir

Queremos DESCOMPLICAR a ciência da nutrição. Dar voz aos profissionais de saúde e abrir diálogo com todos envolvidos, incluindo marcas e produtos. Plataforma exclusiva para nutricionistas e estudantes da área. É DE GRAÇA E SEMPRE VAI SER.

Ler conteúdo completo
Indicados para você