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Os diferentes tipos de FOME

Os diferentes tipos de FOME

Saber identificar os diferentes tipos de fome é algo que você já ensina aos seus pacientes no consultório?

A alimentação sofre não apenas influência de aspectos nutricionais, mas também socioculturais e emocionais, o que ocasiona diferentes tipos de fome no indivíduo.

Entender a diferença entre elas e as suas especificidades pode auxiliar na compreensão do seu paciente e em todos os fatores biopsicossocioculturais que o envolvem.

 BIOPSICOSSOCIAIS, porque estamos inseridos em uma sociedade com uma cultura historicamente construída, mas também que tem grandes diferenças regionais, que sofre adaptações em cada núcleo familiar. Assim como somos capazes de sentir emoções que interferem no nosso organismo, no aspecto cognitivo e, consequentemente, em várias das nossas ações alimentares.

Com isso, existe uma divisão didática trazida no livro Comer com Atenção Plena, da Editora Abril, inspirado nos ensinamentos da monja e pediatra Jan Bayes que cita  nove tipos de fome.

Quais são os diferentes tipos de fome?

1. FOME DOS OLHOS: Quem nunca ouviu “está de comer com os olhos”? A apresentação visual de um alimento, uma fruta, uma receita, ou mesmo um snack terá um diferente impacto na fome dos olhos.

2. FOME DO NARIZ: Comida no fogão desperta em nós a fome e o salivar, nosso corpo já começa a se preparar para digestão do alimento, o aroma aguça nosso organismo, parte de  um sistema ancestral de vida. Uma curiosidade: é o cheiro que confere, junto ao gosto, o que conhecemos como ‘sabor’ , do inglês ‘falvo’.

Nutri, peça para o seu paciente experimentar uma bala de nariz tampado: sem o cheiro você só terá o gosto. Aliás, isso é algo que tem a ver com a nossa próxima fome.

3. FOME DA BOCA: Sentir a forma, a crocância, o gosto dos alimentos e preparações por meio das papilas gustativas:, doce, picancia, azedo, salgado, picante, amargo, umami (5°gosto). Inclusive, a Sociedade Internacional de Neurogastronomia, do Reino Unido, já pesquisa alimentos da natureza que intensificam o sabor para utilizar na produção de alimentos para indivíduos pós-quimioterapia. 

4. FOME DO ESTÔMAGO: Barriga roncando é o sinal. A necessidade do corpo se pronuncia e se eleva a tal ponto que você primeiro precisa dar atenção a ela para conseguir continuar produzindo e rendendo em outras atividades

5. FOME DE TATO: Sentir os alimentos, rasgar um pedaço de pão, ou ainda, colocar a mão na massa é um fenômeno que cresce a cada dia mais, especialmente em meio à pandemia do coronavírus (93% das pessoas declaram estar cozinhando em casa).

6. FOME DE OUVIDO: Ouvir uma cebola refogando, o barulhinho da pipoca estourando ou até mesmo o “croc croc” de alguém mastigando ao seu lado, pode dar aquela vontade de experimentar!

7. FOME CELULAR: É aquele sinal do seu corpo mais profundo possível, que vem das células, de uma necessidade fisiológica e da sabedoria do corpo. Alguns vegetarianos relatam um enorme ímpeto de comer carne em algum momento da vida, e que isso não está, necessariamente, relacionado à “vontade”.  Assim como as grávidas e seus desejos, cujas células podem expressar maior necessidade de certos nutrientes. Por isso,  é necessário saber que ela existe, entender e respeitar o sinal do corpo.   

8. FOME DE MENTE: Quando pensamos: “Eu deveria, eu merecia”, pensamos, por exemplo, eu deveria consumir mais saladas, eu não deveria comer esse chocolate. Tudo isso que é influenciado por nossas histórias de vida, e pelo que vimos e ouvimos, pode causar em nós, seres humanos, problemas como ansiedade, culpa e uma reação a determinados alimentos.

9. FOME DE CORAÇÃO: é a fome despertada por alimentos que trazem lembranças afetivas, conforto em um momento difícil ou um simples acolhimento. Sendo diferente da “fome emocional” em que a comida vem tamponar um sentimento.

Como trabalhar os diferentes tipos de fome em consultório?

Para trabalhar este tema no seu consultório, você precisa estar munido de boas referências, aproveitamos para deixar a dica do Livro do Instituto Nutrição Comportamental que além de trazer um vasto conteúdo sobre comportamento alimentar, também trás exemplos bem práticos de como você pode orientar e ajudar seu paciente. 

Tentar exemplificar com situações do cotidiano do paciente é um ótimo caminho. 

Quais as situações em que ele vivenciou a fome do coração? Em quais lugares ele acha que está mais propício a sentir a fome dos olhos? É claro que antes de fazer essa relação é importante que você explique as diferenças e característica de cada uma delas.

Aqui vale a criatividade, mas os recursos visuais como lâminas, fotos de comida, fotos de situações como viagens ou ida a restaurantes, são bem vindas para uma melhor associação.

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