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Saúde intestinal de idosos e sua relação com Alzheimer

Saúde intestinal de idosos e sua relação com Alzheimer
Academia da Nutrição
fev. 16 - 7 min de leitura
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Várias pesquisas recentes procuram elucidar como a microbiota e a comunicação do eixo intestino-cérebro, podem afetar a saúde mental, e mais ainda, de que forma se relacionam com neuropatologias como o Alzheimer.

 

O processo de envelhecimento é algo inerente do ser vivo e também pode ser chamado de senescência. Este nome é dado à série de alterações do organismo que estão relacionadas a sua evolução no tempo e que acarretam na diminuição de algumas funções fisiológicas.

Entretanto, todo processo é considerado natural e comum à faixa etária de idosos, ainda que não seja identificado doenças ou processos fisiopatológicos envolvidos. 

Em contrapartida, existe outro processo que pode afetar o envelhecimento: a senilidade. Neste caso, o indivíduo também é acometido pelas perdas de funções do organismo, mas estas são intensificadas pela ação de doenças, e não é um processo natural ou comum.

 

É um processo patológico e que afeta tanto o tempo como a qualidade de vida da pessoa. 

 

Um estudo de revisão sobre a saúde intestinal de idosos com Alzheimer e sua relação com o eixo intestino-cérebro

 

A Doença de Alzheimer (DA) é uma espécie de demência que acomete, em sua grande maioria, idosos acima de 65 anos.

Ela afeta principalmente as regiões do hipocampo e neurocórtex e é caracterizada por sintomas como perda de memória e alterações neuroquímicas, e sua progressão acaba por comprometer as funções cognitivas, culminando na incapacidade física e psíquica do idoso.

 

Sendo assim, o Alzheimer é uma doença que acarreta a senilidade.  

 

Não sendo imune às ações da Doença de Alzheimer, o sistema digestivo é afetado de forma a prejudicar a absorção de nutrientes e modificar a microbiota intestinal, gerando uma disbiose.

Isso é particularmente preocupante, porque sabe-se que existe uma comunicação entre cérebro e trato gastrointestinal, por meio do eixo cérebro-intestino, que estabelece uma comunicação de dupla via e pela qual os órgãos são capazes de influenciar funções e atividades, de acordo com as necessidades e sinais do organismo. 

 

O estudo em questão buscou compreender e estabelecer as associações entre a saúde intestinal de idosos com Alzheimer e a comunicação do eixo cérebro-intestino, afetada pela microbiota intestinal.

Para isso, foram feitas buscas nas bases de dados: Scielo, PubMed e Google Academy, de acordo com os descritores em inglês, português e espanhol:

  • envelhecimento;

  • demência;

  • disbiose;

  • microbiota. 

 

A partir disto, foram selecionados estudos, nos 3 idiomas, que contemplavam os critérios de inclusão:

  • estudos de revisão, intervenção, experimentais, descritivos ou transversais;

  • estudos originais ou randomizados;

  • relacionados com os temas de Doença de Alzheimer, saúde intestinal de idosos, microbiota e disbiose, envelhecimento saudável e saúde mental e eixo intestino-cérebro;

  • realizados entre os anos de 2017 e 2020;

  • ter acesso a versão completa gratuita.

 

Por fim, foram levados em consideração para a construção do artigo, 18 estudos. 

 

O que os pesquisadores encontraram sobre a associação de Alzheimer e a saúde intestinal?

 

Existem muitas discussões sobre o surgimento da DA, algumas delas a relacionam com doenças periodontais e o acúmulo de placas amilase em regiões do cérebro; outras com a presença da bactéria H. pylori.

E há também algumas que ligam a doença com a presença de metabólitos neuroinflamatórios.

Indo ao encontro desta última teoria, autores sugerem que o desenvolvimento da Doença de Alzheimer está amplamente ligada ao intestino e microbiota.

O que se sustenta no fato de que o microbioma intestinal é capaz de influenciar atividades cerebrais, e sendo assim o quadro de disbiose pode afetar a homeostase do corpo e aumentar a chance de distúrbios neurodegenerativos.

 

Ainda, Bulgart argumenta que:

"Alterações da microbiota podem gerar metabólitos bacterianos..."

Esses metabólitos bacterianos tanto se ligam a receptores locais, quanto são capazes de atravessar a barreira hematoencefálica, chegando ao sistema nervoso central (SNC) e podendo se ligar a receptores de astrócitos e microglias (células do SNC), aumentando, por fim, mediadores de processos inflamatórios. 

 

O estudo de Angelucci et al também traz a informação de que o exame de sangue de pacientes com comprometimento cognitivo e amiloidose cerebral tinham um padrão de baixo nível de Escherichia retale e aumento nos níveis de Escherichia e shigella, o que mostra um declínio de micróbios antiinflamatórios e ampliação dos inflamatórios.

Esse padrão mostra um declínio de micróbios antiinflamatórios e ampliação dos inflamatórios.

Como as citocinas pró-inflamatórias são capazes de atravessar a barreira hematoencefálica e, portanto geram maior estresse oxidativo, é possível sustentar a teoria de que as respostas inflamatórias de uma microbiota em disbiose, podem estimular o desenvolvimento de patologias como o Alzheimer. 

 

Entretanto, outros pesquisadores ressaltam a importância de se ter cuidado nas afirmações e leitura de estudos.

Isso porque a maior parte do material desenvolvido sobre a microbiota é realizado com base em observações feitas em camundongos que além de possuírem uma microbiota diferente da do humano, vivem em condições controladas do laboratório.

 

O que concluir sobre a relação do Alzheimer e saúde intestinal?

 

Apesar da limitação de estudos em humanos, no geral as pesquisas relacionam as alterações da microbiota intestinal com a neuroinflamação, afetando consequentemente o desenvolvimento de neuropatologias.

Sendo assim, é importante a manutenção de um microbioma intestinal saudável e bem equilibrado, e isto é feito, principalmente, por meio da alimentação e consumo de prebióticos, probióticos e simbióticos.

 

No mês de fevereiro entramos na campanha Fevereiro Roxo e Laranja, que é voltada a conscientização das doenças lúpus, fibromialgia, alzheimer e leucemia.

Essas cores trazem consigo a noção dos cuidados e alerta destas doenças que não são de amplo conhecimento popular, principalmente no que diz respeito aos sintomas e consequências no cotidiano, já que algumas não possuem tratamento, apenas um cuidado prolongado. 

Com o artigo de hoje, esperamos contribuir para ampliar a atenção do nutricionista para o Alzheimer, uma das patologias envolvidas nesse Fevereiro Roxo Laranja.

E você, Nutricionista, já sabia como a alimentação pode ser uma grande aliada na prevenção e manutenção da Doença do Alzheimer? 

 

Também não deixe de conferir nosso outro artigo recente sobre a importância da microbiota, desta vez, relacionada à depressão em mulheres!

 

Referências Bibliográficas:

Xavier M E F et al. A saúde intestinal de idosos com Alzheimer e sua relação com o eixo intestino-cérebro: uma revisão bibliográfica. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação-REASE. São Paulo, 7 (12), dez 2021.

O que é a campanha Fevereiro Roxo Laranja. [homepage da internet] Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Jan 2022 [acesso em 11 Fev 22]. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/hupaa-ufal/comunicacao/noticias/o-que-e-campanha-fevereiro-roxo-laranja

 

 


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