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Obesidade: saiba mais sobre a face neuroendócrina da fome e da saciedade

Obesidade: saiba mais sobre a face neuroendócrina da fome e da saciedade
Academia da Nutrição
mar. 3 - 8 min de leitura
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A obesidade é, atualmente, uma das doenças de maior importância para a saúde pública

Não somente porque vem apresentando índices crescentes de prevalência por toda a população, como também por ser fator de risco para o desenvolvimento de outras doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) como a dislipidemia, hipertensão arterial, diabetes mellitus e câncer. 

 

Obesidade como doença de origem multifatorial

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade vem atingindo proporções epidêmicas, afetando crianças, adultos, pessoas de diferentes condições sociais.

 Além disso, a doença tem uma origem multifatorial que inclui:

  • condições neuroendócrinas

  • psíquicas

  • intestinais

  • genéticas

  • estilo de vida

 

Ademais, a obesidade também se relaciona diretamente com uma piora na qualidade de vida, redução da expectativa de vida, desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis e comorbidades.

 

Além de ser atrelada ao sofrimento psíquico, chegando até mesmo a interferir nas relações inter e intrapessoais do indivíduo.

 

De maneira simplória: a obesidade é um distúrbio crônico e de origem multifatorial, que é resultado de um desequilíbrio do balanço energético de longo prazo.

Ou seja, o indivíduo passa um bom período de tempo num quadro em que seu consumo calórico é maior do que seu gasto energético, resultando no aumento de peso e acúmulo de tecido adiposo. 

 

Relação da obesidade com o controle da fome e saciedade

O controle do balanço energético é realizado, principalmente, pelo Sistema Nervoso Central (SNC), que sofre interferência de diversos outros sistemas, entre eles o endócrino.

A fim de abordar o assunto, discutiremos aqui um estudo recente, publicado em janeiro de 2022:

A atuação neuroendócrina no controle da fome e saciedade e sua relação com a obesidade

 

O estudo em questão, buscou relacionar os mecanismos neuroendócrinos que atuam na regulação da fome e saciedade, uma vez que estes estão fortemente ligados ao desenvolvimento da obesidade

Para compor esta revisão bibliogŕafica, foram pesquisados os descritores “sistema neuroendócrino”, “obesidade”, “consumo de alimentos”, “fome e saciedade”, nas bases de dados LILACS, MEDLINE e SciELO.

A partir desse ponto, foram incluídos estudos cujo lançamento era datado entre os anos de 2008 e 2021. Por esse critério, foram selecionados 31 artigos para compor o corpus final desta revisão.

 

O sistema neuroendócrino em destaque

Alguns estudos trazem evidências sobre como a ingestão de nutrientes e seu metabolismo podem ser controlados ou modulados pelas estruturas neurais e sistemas neuroquímicos e neuroendócrinos.

Ainda, estes últimos vêm sendo apontados como protagonistas na modulação do balanço energético no organismo, uma vez que são capazes de aumentar ou diminuir a termogênese e a saciedade, dependendo do estado em que o indivíduo se encontra.

 

Por fim, alterações nestes sistemas podem estar associadas às mudanças no comportamento alimentar.

 

De acordo com González-Munieza et al. (2017), as áreas cerebrais que são responsáveis pela homeostase energética recebem sinais neuronais e hormonais, de acordo com as necessidades do indivíduo, disposição de energia e metabólitos.

Logo, o cérebro recebe sinais que foram influenciados pelos hormônios do trato gastrointestinal e pelo tecido adiposo e, como resposta, as vias eferentes transmitem impulsos de ativação ou inibição de neurônios responsáveis pela sensação de fome (orexígenos) e saciedade (anorexígenos), que estão localizados no hipotálamo. 

 

Mecanismos de fome e saciedade

Existe uma teoria, nomeada teoria glicosilática, que trata do mecanismo fome-saciedade.

De acordo com essa teoria, o “centro da fome” está localizado na lateral hipotalâmica e é bastante sensível à glicose, o que faz com que o consumo alimentar seja estimulado diante uma percepção de baixa glicemia.

Dando continuidade a regulação da ingestão alimentar, o “centro da saciedade”, localizado na região ventromedial do hipotálamo, é ativado, o que inibe o outro centro e acaba por cessar a alimentação.

Entretanto, apesar dos estímulos bioquímicos para o início de uma refeição existirem e serem significativos, Brown aponta que a realização de uma refeição esta muito mais ligada aos fatores sociais, culturais, ambientais e de estilo de vida da pessoa.

 

Ainda, alguns autores afirmam que não apenas o hipotálamo é centro de controle da ingestão alimentar, mas também divide essa função com mais duas estruturas do sistema límbico primitivo: a área tegmental ventral e a amígdala.

O conjunto da percepção das 3 áreas sobre o alimento é o que forma a base do comportamento alimentar.

A ação contínua da insulina sobre a área tegmental ventral desregula as vias de recompensa, o que provoca um aumento da busca pelo alimento, principalmente aqueles ricos em açúcares e gorduras.

E a ativação crônica da amígdala aumenta a secreção de cortisol que, quando excessiva, leva ao acúmulo de gordura visceral e aumento na sinalização de lecitina. 

 

Tudo isso acaba movimentando o ciclo do ganho de peso

 

A obesidade e os sistemas neuroendócrinos: como se relacionam?

De acordo com os autores do artigo discutido “as interações do sistema neuroendócrino juntamente com o trato gastrointestinal e com o tecido adiposo são expressos através de sinais fisiológicos de forma a regular o apetite”.

 

Sendo assim, existem basicamente 2 tipos de sinais que regulam o apetite:

  • curto prazo: a via de interação vagal ativa o sistema neuroendócrino e secreta peptídeos hormonais de controle da fome e saciedade

  • longo prazo: o tecido adiposo secreta hormônios conforme vão acontecendo oscilações nas reservas de energia

 

São estes hormônios, as adipocinas (peptídeos bioativos secretados pelo tecido adiposo), que estão mais relacionados ao desenvolvimento da obesidade, uma vez que têm um importante papel no controle da homeostase energética.

 

Dentre as adipocinas, a de maior relevância na regulação da homeostase energética, é a leptina.

 

A leptina é um inibidor dos estímulos neuronais orexígenos, responsáveis pela sensação de fome, e além disso possui níveis circulantes que são proporcionais aos níveis de tecido adiposo.

Além disso, ela atravessa a barreira hematoencefálica e se liga aos receptores do hipotálamo, região na qual se localizam os centros de fome e saciedade. 

Dessa forma, ela sinaliza ao SNC sobre os estoques de energia no corpo e realiza ajustes que buscam o equilíbrio do balanço energético. 

 

No caso dos indivíduos com obesidade, o que acontece é que eles apresentam um quadro de resistência à leptina. 

Ou seja, os níveis do hormônio acompanham o aumento do tecido adiposo, entretanto há uma insensibilidade dos receptores hipotalâmicos, o que causa uma resistência a leptina e tem como consequência a hiperfagia de indivíduos obesos.

 

Outros hormônios envolvidos

A insulina é mais um hormônio importante na fisiologia da obesidade: ela atua em conjunto com a leptina no balanço energético.

Sua secreção basal, e estimulada pela glicose, é proporcional à adiposidade do organismo. Somando-se a isso, ela também afeta o hipotálamo, mas acaba produzindo efeitos catabólicos. 

 

Já alguns outros hormônios regulam a ingestão energética a curto prazo: a grelina é responsável por estimular o apetite nas janelas de alimentação, já a CCK (colecistoquinina) e o GPL-1 estimulam a saciedade no período pós-absortivo, cada um à sua maneira.

Ainda, há mais hormônios que atuam de forma direta ou indireta nas sensações de fome e saciedade e regulação do balanço energético.

 

Pluralidade no manejo da obesidade é fundamental

Conhecer tais mecanismos de regulação da ingestão alimentar é de extrema importância a fim de entender mais a fundo sobre os fatores que cercam o desenvolvimento da obesidade e suas consequências.

Entretanto, cabe ressaltar que a ação hormonal não é o único fator e/ou determinante no desenvolvimento da doença, uma vez que ela é altamente multifatorial, e deve ser vista e manejada de acordo com sua pluralidade. 

 

Então, Nutricionista, você já buscou mais a fundo sobre como os hormônios regulam nosso balanço energético e afetam o desenvolvimento da obesidade?

E como você lida sobre as questões de fome e saciedade com seus pacientes?

Você pode, por exemplo, conversar com eles sobre os diferentes tipos de fome. Confira mais a respeito em outro artigo publicado anteriormente aqui na Academia da Nutrição: Os diferentes tipos de FOME

É só clicar no link! 

 

Referência Biblográfica:

Da Silva SS et al. A atuação neuroendócrina no controle da fome e saciedade e sua relação com a obesidade. Research, Society and Development. Jan 2022 v.11 n.2 (2022). [acessado em 3 Mar 2022]


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