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Low Carb: mocinha ou vilã? O que você pensa sobre ela?

Low Carb: mocinha ou vilã? O que você pensa sobre ela?
Academia da Nutrição
abr. 12 - 8 min de leitura
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Apesar de não tão nova no mundo da Nutrição, a dieta Low Carb ainda é um dos maiores pontos de debate entre profissionais da área. Então, vamos de polêmica?

De um lado, há aqueles que acreditam que esta estratégia é efetiva ao emagrecimento saudável...

Do outro, estão os que defendem que esta dieta pode até gerar resultados, mas que é insustentável a longo prazo, podendo até promover um ganho de peso posterior. 

 

Nesse artigo, vamos desenvolver e discutir os prós e contras da dieta Low Carb.

E você, Nutricionista, poderá opinar: afinal, a Low Carb é vilã ou mocinha?

 

No contexto da Low Carb

A dieta Low Carb, surgiu como uma estratégia ao emagrecimento.

Cada vez mais, vemos o aumento das prevalências de sobrepeso e obesidade pelo mundo todo e isso é altamente preocupante, uma vez que estas condições são preditoras de outras doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e problemas de saúde.

O que afeta não apenas a qualidade de vida do indivíduo, como também os gastos em saúde ao redor do mundo. 

 

Em pesquisas, percebeu-se que a maior parte da energia na dieta ocidental é proveniente dos carboidratos. Sendo este o macronutriente que fornece mais energia, vem a recomendação que para diminuir a ingestão calórica das refeições seria necessário diminuir o seu consumo.

Ainda, a diminuição do consumo de carboidratos vem acompanhada de um aumento do fornecimento de energia via proteínas e gorduras, o que seria responsável por um menor estímulo da secreção de insulina, aumentando então a oxidação lipídica.

E assim, o uso de gorduras como representante principal da fonte de energia.

Isso, somado a um balanço energético negativo, é capaz de causar o emagrecimento do indivíduo, tornando a dieta Low Carb, uma estratégia de emagrecimento.

 

A Low Carb traz benefícios?

As dietas Low Carb são, por definição, dietas cujo fornecimento de energia diária via carboidratos não ultrapassa 40%.

Ao prescrever a Low Carb, os profissionais trabalham com uma distribuição do macronutriente com cerca de 50 a 200 g por dia. Lembrando que em conjunto com esta medida, o aporte de energia via proteínas e gorduras sofre um aumento. 

O manejo no balanço energético, de forma a torná-lo negativo, fica mais fácil quando reduzimos um grupo de alimentos, ou seja, apenas a redução dos carboidratos já pode ser eficiente nesta questão.

 

O alto consumo de carboidratos também pode estar ligado à qualidade da alimentação de uma pessoa.

Geralmente, o balanço energético positivo associado a um maior consumo deste nutriente não tem como causa a excessiva ingestão de alimentos in natura ou minimamente processados.

Pelo contrário, na maioria das vezes é ocasionada pelo alto consumo de alimentos processados e ultraprocessados, que também são altamente enriquecidos de açúcares e gorduras e outros aditivos, e ainda têm uma alta densidade calórica.

Sendo assim, a dieta Low Carb seria responsável pela diminuição do consumo de alimentos sobre os quais o Guia Alimentar para População Brasileira traz a recomendação de evitar e consumir com moderação. 

 

A ciência por trás da Low Carb

A ciência por trás de uma dieta baixa em carboidratos se baseia no princípio de que a restrição deste nutriente ocasionará o processo de cetose e oxidação lipídica, o que estimula a sensação de saciedade, aumento do gasto energético e mudanças metabólicas.

 

Desta forma, os ácidos graxos e corpos cetônicos se tornam as principais fontes de energia do organismo, potencializando a perda de peso. 

 

Os estudos mais recentes sustentam esta premissa:

Realmente a perda de peso pode ser observada em indivíduos que seguem este tipo de dieta.

Mais além, foi percebido que o baixo consumo de carboidratos também pode promover uma melhoria do controle glicêmico e do perfil lipídico, beneficiando principalmente pessoas que têm uma predisposição ao desenvolvimento de DCNTs, como a dislipidemia.

 

Por fim, no que diz respeito aos benefícios deste tipo de dieta, quando bem feita, ela causa uma mudança na composição corporal de forma rápida e perceptível, o que vai ao encontro dos objetivos de quem recorre a ela.

Essa rápida perda de peso causa uma sensação de bem-estar e de meta atingida, deixando a pessoa feliz com seus resultados. 

 

A Low Carb e seus contras

Em se tratando das contrapartidas de uma alimentação baixa em carboidratos, temos alguns argumentos.

O primeiro deles é que a perda de peso promovida não é uma consequência exclusiva da diminuição do consumo de carboidratos e sim de calorias.

Portanto, é levantado o questionamento sobre a real necessidade de se diminuir apenas um dos macronutrientes, e se não seria mais interessante um manejo de todos os nutrientes da dieta. 

Ainda mais que a restrição ou exclusão de um grupo de alimentos é algo de difícil longevidade, sendo insustentável a longo prazo.

Esta constatação, somada à falta de adequada educação alimentar e nutricional do indivíduo, faz com que, ao fim de uma dieta restritiva, parte do peso seja recuperada ou até mesmo se exceda o peso inicial.

 

Nem precisamos dizer que gera frustração e coloca a pessoa num ciclo estressante de ganho e perda de peso. 

 

O baixo consumo de carboidratos também pode ser responsável pela diminuição da atividade física de um indivíduo.

Uma dieta carente neste nutriente reduz o glicogênio muscular, um importante substrato que é usado pelo nosso organismo, principalmente em situações de prática de atividade física.

Em suma, a dieta Low Carb acaba aumentando a sensação de fadiga, o que prejudica a prática esportiva. E cabe ressaltar que esta é uma grande aliada não apenas para a manutenção da saúde, mas também para o processo de emagrecimento. 

 

Por fim, também conclui-se que as modificações metabólicas da dieta Low Carb não se apresentam benéficas a longo prazo.

O uso de ácidos graxos e corpos cetônicos como principal fonte de energia vai contra o metabolismo regular de nosso corpo. Logo, estas modificações metabólicas não são benéficas a longo prazo, podendo acarretar em piores desfechos de saúde.  


Agora é com você, Nutricionista!

Você acabou de ler diversos argumentos baseados na ciência da nutrição, contra e a favor da dieta Low Carb. 

Muitos anos já se passaram desde que ela se popularizou, muitos estudos já foram feitos e pontos foram levantados. Mas ainda sim, não há um consenso e uma conclusão certeira sobre a dieta Low Carb e se ela seria exclusivamente benéfica ou prejudicial à saúde. 

 

Cabe a nós, profissionais, estudar e julgar o que é mais coerente com o caso de nosso paciente; o que se encaixa melhor em sua rotina, levando em consideração seus costumes, exames, avaliação nutricional e adaptação individual.

Concorda?

Então deixe aqui nos comentários, Nutri:

Você tem algum paciente em que aplica a dieta low carb? Já teve algum paciente que seguiu esta estratégia? Quais foram seus resultados?

Vamos trocar experiências! 



Referências Bibliográficas

Paula SL de, Matos MRT, Martins YC, Araújo NA de, Silva FSH da, Silva MA, et al. Consumo e dietas “low carb high fat high protein” suas implicações metabólicas, clínicas e nutricionais: uma revisão integrativa. Research, Society and Development. 2021 Dez 14;10(16).

 

Cordeiro R, Salles MB, Azevedo B. Benefícios e Malefícios da Dieta Low Carb. Revista Saúde em Foco. 2017;9.

 

Batista, R P; Palma, G H D. Os efeitos da dieta low carb no controle glicêmico de diabéticos obesos: uma revisão sistemática. Revista Terra & Cultura: Cadernos de Ensino e Pesquisa, [S.l.], v. 37, n. especial, p. 367-386, set. 2021. ISSN 2596-2809. [acesso em 12 Abr 2022] Disponível em: <http://periodicos.unifil.br/index.php/Revistateste/article/view/2445>.

 

Siqueira ME de. Dieta low carb: alimentos de baixo índice glicêmico. repositorioifscedubr [Internet]. 2021 [acesso 12 Abr 2022]. Disponível em: https://repositorio.ifsc.edu.br/handle/123456789/2395

 

Monteiro CA. Guia alimentar para a população brasileira [Internet]. 2014. Disponível em: 

http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf

 


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