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Imunogenética de resistência à infecção por SARS-CoV-2 em casais discordantes.

Imunogenética de resistência à infecção por SARS-CoV-2 em casais discordantes.

 

Um estudo feito pelo Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco, por pesquisadores da USP, Unesp e Grupo Fleury foi publicado no Medrxiv dia 25 de abril. Esse estudo buscou explicar por que algumas pessoas infectadas pelo SarCov2 desenvolvem os sintomas da doença, COVID-19, e outras desenvolvem casos assintomáticos e / ou não são infectados.

Para isso foram analisados 86 casais discordantes, em que uma das partes desenvolveu sintomas e o outro permaneceu assintomático e não apresentava anticorpos em sua sorologia mesmo convivendo diariamente no mesmo ambiente. Foram tomados os devidos cuidados de delineamento de pesquisa para que as idades e as proporções de ancestralidade genética fossem comparáveis. Assim foi feito o sequenciamento do exoma (lembram que no nosso genoma, somente os éxons são as partes codificantes?).

 

Só relembrando: existem as APC, Células Apresentadoras de Antígenos, que coletam epítopos dos patógenos e os apresentam via MHC para as células do sistema imune, como aos leucócitos, pelos seus Receptores Leucocitários, codificados pelo LRC, Complexo de Receptores Leucocitários, presente no cromossomo 19, que codifica também outros grupos de receptores como das células Natural Killers e moléculas relacionadas a anticorpos. E existem as tais Interações Epistáticas, que é quando mais de um gene atua em conjunto para influenciar uma característica específica, entre o complexo LRC e o HLA (MHC humano), podendo gerar maior suscetibilidade ou não a doenças.

 

De forma simplificada, pode-se dizer que foram verificados dois pontos no que se refere a existência de polimorfismos em genes relacionados a modulação do sistema imunológico, principalmente os envolvidos na atividade das NK, que tornam a pessoa mais resistente ou não a uma infecção:

(1) que nos indivíduos infectados e sintomáticos os genes LILRB1 e LILRB2 do complexo LRC, estavam se expressando muito mais do que nos assintomáticos e soronegativos, e considerando que esses genes inibem a ação das NK, pode-se entender a maior dificuldade que o organismo desses indivíduos teve para combater o vírus

(2) e que indivíduos propensos a produzirem proteínas que aparecem na superfície de células estressadas, malignas transformadas e infectadas, como MICA (solúvel por ter sido clivado e, portanto, se tornando menos útil), LILRB1 e LILRB2 em maior quantidade e MICB em menores quantidades e que vão se ligar a receptores das NK como NKG2D, seriam mais suscetíveis à infecção.

 

Como após a interação spike-ACE2 a atividade da desintegrina e da metaloproteinase é aumentada, tem-se como hipótese que essa seria a razão da maior liberação de MICA, mas ainda existem muitos questionamentos de porque umas moléculas são mais expressas que outras, porque ocorre a maior clivagem de MICA a tornando mais solúvel e, portanto, menos atuante. Enfim, essas serão cenas para os próximos estudos.

 

Fontes:

FABIANA MARIZ (São Paulo). Jornal da Usp. Genes do sistema imune podem explicar a resistência e a suscetibilidade ao novo coronavírus. 2021. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/genes-do-sistema-imune-podem-explicar-a-resistencia-e-a-suscetibilidade-ao-novo-coronavirus/. Acesso em: 07 maio 2021.

HORTON, R.; COGGILL, P.; MIRETTI, M. M.; SAMBROOK, J. G.; TRAHERNE, J. A.; WARD, R.; SIMS, S.; PALMER, S.; SEHRA, H.; HARROW, J.. The LRC haplotype project: a resource for killer immunoglobulin-like receptor-linked association studies. Tissue Antigens, [S.L.], v. 68, n. 5, p. 450-452, nov. 2006. Wiley. http://dx.doi.org/10.1111/j.1399-0039.2006.00697.x. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2734079/. Acesso em: 07 maio 2021.

RAJALINGAM, Raja. Polymorphic KIR-HLA System Regulates Natural Killer Cell Response. Encyclopedia Of Immunobiology, [S.L.], p. 369-380, 2016. Elsevier. http://dx.doi.org/10.1016/b978-0-12-374279-7.03011-3. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/B9780123742797030113?via%3Dihub. Acesso em: 07 maio 2021.

SÃO PAULO. Erick C. Castelli, et al. Medrxiv. Immunogenetics of resistance to SARS-CoV-2 infection in discordant couples. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1101/2021.04.21.21255872. Acesso em: 07 maio 2021.

 

 

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