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Flexibilidade Metabólica de Peso de Set Point

Flexibilidade Metabólica de Peso de Set Point

 

Assim que nos alimentamos e temos o aumento dos níveis de glicose sanguíneos e configuramos um quadro de ganho calórico, nesse momento o nosso organismo tende a usar mais essa glicose disponível. Já em momentos de gasto energético maior ou de privação de alimentos, e não precisamos nem pensar em longos jejuns, uma boa noite bem dormida já é um bom exemplo, já não temos mais disponível tanta glicose assim, portanto nosso organismo precisa utilizar as nossas reservas como glicogênio hepático, muscular e gordura estocada no tecido adiposo. Esse balanço de uso de fontes de energia diferentes entre os quadros flutuantes de ganho e gasto energético é chamado de Flexibilidade Metabólica.

 

Kelley e colaboradores criaram este conceito quando estudaram a seleção dos substratos energéticos feita pelo tecido muscular em indivíduos eutróficos e indivíduos obesos durante o jejum noturno. O primeiro grupo conseguiu migrar da utilização de glicose para ácidos graxos durante a noite, enquanto o segundo grupo não apresentou aumento de uso de ácidos graxos no jejum, nem diminuição do seu uso após infusão de insulina.

Estudos subsequentes mostraram também que indivíduos eutróficos quando submetidos a uma dieta mais rica em gorduras tiveram o seu uso de ácidos graxos aumentado. Aí você pode pensar, “Mas é claro, se eu estou oferecendo a uma pessoa mais bananas do que maçãs, é óbvio que ela vai comer mais bananas do que maçãs..” Sim, seu raciocínio faz total sentido. Mas o que você diria se te dissermos que a mesma dieta foi oferecida no mesmo estudo para indivíduos obesos e nestes indivíduos não houve aumento do uso de ácidos graxos? Pois foi isso que ocorreu. Nesse caso o indivíduo que passou a receber mais banana do que maçãs, passou a comer menos, pois ele basicamente só come maçãs.

 

Algumas patologias como câncer, DM2, síndrome metabólica e obesidade alteram esse equilíbrio da Flexibilidade Metabólica e geram a chamada Inflexibilidade Metabólica. E aí podemos entrar também no chamado Set Point do peso corporal ou Peso de Set Point, que é o mecanismo que o nosso organismo possui para que de forma homeostática consiga manter o nosso peso em equilíbrio ao longo da vida, mesmo com variações de ingestão e gasto calórico. Sendo que por uma questão de proteção e preservação a vida desenvolvida ao longo dos tempos, o nosso organismo é mais eficiente em manter o peso estável com o déficit calórico do que com superávit energético. E um dos fatores que influenciam nesse peso de Set Point é exatamente essa Inflexibilidade Metabólica a partir da disponibilidade de nutrientes, para didaticamente falando, quebrar esse mecanismo homeostático para cima.

 

Ou seja, emagrecer não é só Foco, Força e Fé. Sim, você vai precisar orientar o seu paciente que será necessário muito foco, muita força e acreditar muito que os objetivos serão alcançados, mas que o caminho não será fácil e que será necessário muito acompanhamento profissional de perto. Ele precisará estar ciente de que a obesidade protege a obesidade, por um mecanismo natural que se explica por um processo de proteção da vida.

 

Fontes

FARIAS, Maria Magdalena; CUEVAS, Ada M.; RODRIGUEZ, Fatima. Set-Point Theory and Obesity. Metabolic Syndrome And Related Disorders, [S.L.], v. 9, n. 2, p. 85-89, abr. 2011. Mary Ann Liebert Inc. http://dx.doi.org/10.1089/met.2010.0090.

KEIJER, Jaap; HOEVENAARS, Femke; NIEUWENHUIZEN, Arie; VAN SCHOTHORST, Evert. Nutrigenomics of Body Weight Regulation: a rationale for careful dissection of individual contributors. Nutrients, [S.L.], v. 6, n. 10, p. 4531-4551, 21 out. 2014. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/nu6104531. Disponível em: https://www.mdpi.com/2072-6643/6/10/4531/htm. Acesso em: 12 maio 21.

KELLEY, D. E.; MANDARINO, L. J.. Fuel selection in human skeletal muscle in insulin resistance: a reexamination. Diabetes, [S.L.], v. 49, n. 5, p. 677-683, 1 maio 2000. American Diabetes Association. http://dx.doi.org/10.2337/diabetes.49.5.677. Disponível em: https://diabetes.diabetesjournals.org/content/49/5/677.full-text.pdf. Acesso em: 17 maio 2021.

SMITH, Reuben L; SOETERS, Maarten R; WÜST, Rob C I; HOUTKOOPER, Riekelt H. Metabolic Flexibility as an Adaptation to Energy Resources and Requirements in Health and Disease. Endocrine Reviews, [S.L.], v. 39, n. 4, p. 489-517, 24 abr. 2018. The Endocrine Society. http://dx.doi.org/10.1210/er.2017-00211. Disponível em: https://academic.oup.com/edrv/article/39/4/489/4982126. Acesso em: 12 maio 2021.

 

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