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Fatores Dietéticos como maiores fatores de risco à saúde e Alimentação Plant Based.

Fatores Dietéticos como maiores fatores de risco à saúde e Alimentação Plant Based.

 

Hoje como estudo principal, trazemos um artigo publicado na Lancet em 2019, em que os pesquisadores fizeram uma Avaliação de Risco Comparativa e assim conseguiram estimar a carga que cada fator dietético representa como carga atribuível a Doenças Cardiovasculares, Diabetes Mellitus tipo 2, Neoplasias e outras causas, assim como as taxas de mortalidade e o que os estudos chamam de Disability Ajusted Life Year (DALY) que são os anos de vida sadios perdidos por morte prematura ou por anos vividos com incapacidades o que comumente chamamos de Morbidade.

 

Os 5 primeiros fatores de maior impacto nos desfechos das doenças citadas, nas taxas de mortalidade e nas taxas de DALYs são:

 

Dieta rica em sódio

Dieta pobre em grãos integrais

Dieta pobre em frutas

Dieta pobre em oleaginosas e sementes

Dieta pobre em vegetais

 

Sendo que a soma dos impactos dos 3 primeiros fatores dietéticos é responsável por 50% das mortes e 66% dos DALYs atribuíveis à dieta.

 

Esse estudo ainda gerou um infográfico que mostra de forma clara e didática o consumo atual e o recomendado desses primeiros 5 fatores:

 

Sódio

Consumo atual - 5,60 mg/dia

Consumo recomendado – não mais que 3,00 mg/dia

 

Grãos integrais

Consumo atual – 29,00 g/dia

Consumo recomendado - 100 a 150 g/dia

 

Frutas

Consumo atual – 94,00 g/dia

Consumo recomendado - 200 a 300 g/dia

 

Oleaginosas e sementes

Consumo atual – 3,00 g/dia

Consumo recomendado - 16 a 25 g/dia

 

Vegetais

Consumo atual – 190 g/dia

Consumo recomendado - 290 a 430 g/dia

 

Nesse mesmo infográfico ainda foi gerado um gráfico que mostra os 10 principais fatores de risco a saúde, e os fatores dietéticos aparecem em primeiro lugar, antes mesmo de Hipertensão Arterial Sistêmica, Tabagismo, Nível elevado de açúcar no sangue, Poluição do ar e IMC elevado. E ainda apresenta os dados, que no ano de 2017 dentre as mortes geradas por fatores dietéticos, 9,5 milhões delas foram por doenças cardiovasculares, 913.090 por câncer e 338.714 por diabetes.

 

Muitas conclusões podem ser tiradas desse artigo, mas um que vamos chamar a atenção aqui é:

Você notou que 4 dos 5 fatores dietéticos principais envolvem componentes alimentares consumidos menos do que o considerado ideal e que todos são do reino vegetal?

Aí vem o insight, “pode ser mais estratégico estimular o aumento do consumo de vegetais do que a exclusão disso ou daquilo da alimentação”. Sim, é uma abordagem totalmente válida.

 

Aqui lhe mostramos algumas sociedades e materiais que já recomendam a alimentação plant-based"

  • A Associação Americana de Endocrinologistas Clínicos e o American College of Endocrinology orientam no seu consenso sobre o tratamento da DM2 em 2019 e 2020.
  • A Cartilha de Alimentação Cardioprotetora feita pelo Hospital do Coração e Ministério da Saúde.
  • O Guia Alimentar para a População Brasileira e o para Crianças Menores de 2 anos.
  • O American College of Lifestyle Medicine.
  • Plant-Based Foods of Canada (PBFC) e Guia Alimentar Canadense.
  • Guias Alimentares Francês, do Reino Unido e da Suécia entre outros.

Além de muuuuitos artigos embasando que:

  • Relacionada a diminuição das DCNT e menos impacto ambiental (HEMLER; HU, 2019).
  • Alimentação Plant Based Saudável está relacionada a menores riscos de doenças coronarianas, com o detalhamento que uma dieta Plant Based Não Saudável pode exercer efeito até piores do que uma alimentação contendo alimentos de origem animal (SATIJA et al., 2017).
  • Quem tem uma alimentação Plant Based não é mais fraquinho, pois não se verifica diferença de performance na atividades físicas de onívoros e vegetarianos. Obs: lembrando que vegetarianismo não é a sinônimo de Plant Based (LYNCH; JOHNSTON; WHARTON, 2018).
  • Carnes fakes, baseadas em plantas não fazem parte de uma dieta Plant Based saudável por serem compostas por proteínas isoladas e não a proteína íntegra e por conterem um nível elevado de sódio e de aditivos alimentares, tornando o alimento ultraprocessado (HU; OTIS; MCCARTHY, 2019).
  • Em participantes como pelo menos 1 fator de estilo de vida não saudável, o consumo de proteína animal não foi associado à mortalidade por todas as causas, mas foi associada a uma mortalidade por doença cardiovascular mais elevada. Na outra ponta o consumo de proteína vegetal foi associado com mortalidade mais baixa por todas as causas e menor mortalidade por doença cardiovascular. E a substituição da proteína animal por proteína vegetal foi relacionada a uma diminuição da mortalidade (SONG et al., 2016).
  • Agora falando de alto consumo de proteína, nessa pesquisa quando o objeto de estudo era proteína animal, o desfecho foi maior mortalidade por todas as causas principalmente por doença cardiovascular, já o alto consumo de proteína vegetal não foi relacionada a uma maior mortalidade por todas as causas nem por alguma específica (CHEN et al., 2020).
  • Tipos específicos de cereais integrais foram associados a menor risco de desenvolver DM2 (AUNE et al., 2013).

 

Diante de todo esse panorama, unindo-se a crescente sindemia de obesidade e DCNTs e ao aquecimento global, sabe-se hoje que para se alcançar benefícios relevantes ao meio ambiente e à saúde humana seria necessário dobrar o consumo global de alimentos saudáveis plant based e reduzir pela metade o consumo de açúcares e carne vermelha. Só que para se atingir metas dessa magnitude, para que o coletivo impacte no individual, será necessário um esforço conjunto mundial traduzido em políticas públicas que reformulem os sistemas alimentares desde como os alimentos são produzidos, toda a sua logística de distribuição, chegando até a educação nutricional dos povos respeitando a sua cultura local.


 

Fontes:

AFSHIN, Ashkan; SUR, Patrick John; FAY, Kairsten A.; CORNABY, Leslie; FERRARA, Giannina; SALAMA, Joseph s; MULLANY, Erin C; ABATE, Kalkidan Hassen; ABBAFATI, Cristiana; ABEBE, Zegeye. Health effects of dietary risks in 195 countries, 1990–2017: a systematic analysis for the global burden of disease study 2017. The Lancet, [S.L.], v. 393, n. 10184, p. 1958-1972, maio 2019. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/s0140-6736(19)30041-8. Disponível em: https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S0140-6736%2819%2930041-8. Acesso em: 07 jun. 2021.

AUNE, Dagfinn; NORAT, Teresa; ROMUNDSTAD, Pål; VATTEN, Lars J.. Whole grain and refined grain consumption and the risk of type 2 diabetes: a systematic review and dose⠳response meta-analysis of cohort studies. European Journal Of Epidemiology, [S.L.], v. 28, n. 11, p. 845-858, 25 out. 2013. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1007/s10654-013-9852-5.

BRASIL. Ministério da Saúde (MS). Guia Alimentar para a População Brasileira. Brasília: MS; 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_criancas_menores_2anos.pdf. Acesso em: 09 jun. 2021.

BRASÍLIA. Hospital do Coração. Ministério da Saúde. Alimentação Cardioprotetora. 2018. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/alimentacao_cardioprotetora.pdf. Acesso em: 09 jun. 2021.

CHEN, Zhangling; GLISIC, Marija; SONG, Mingyang; ALIAHMAD, Hamid A.; ZHANG, Xiaofang; MOUMDJIAN, Alice C.; GONZALEZ-JARAMILLO, Valentina; SCHAFT, Niels van Der; BRAMER, Wichor M.; IKRAM, Mohammad Arfan. Dietary protein intake and all-cause and cause-specific mortality: results from the rotterdam study and a meta-analysis of prospective cohort studies. European Journal Of Epidemiology, [S.L.], v. 35, n. 5, p. 411-429, 19 fev. 2020. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1007/s10654-020-00607-6. Disponível em: https://link.springer.com/content/pdf/10.1007/s10654-020-00607-6.pdf. Acesso em: 09 jun. 2021.

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GARBER, Alan J.; HANDELSMAN, Yehuda; GRUNBERGER, George; EINHORN, Daniel; ABRAHAMSON, Martin J.; BARZILAY, Joshua I.; BLONDE, Lawrence; BUSH, Michael A.; DEFRONZO, Ralph A.; GARBER, Jeffrey R.. Consensus Statement by the American Association of Clinical Endocrinologists and American College of Endocrinology on the Comprehensive Type 2 Diabetes Management Algorithm – 2020 Executive Summary. Endocrine Practice, [S.L.], v. 26, n. 1, p. 107-139, jan. 2020. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.4158/cs-2019-0472. Disponível em: https://www.endocrinepractice.org/action/showPdf?pii=S1530-891X%2820%2935066-7. Acesso em: 09 jun. 2021.

HEMLER, Elena C.; HU, Frank B.. Plant-Based Diets for Cardiovascular Disease Prevention: all plant foods are not created equal. Current Atherosclerosis Reports, [S.L.], v. 21, n. 5, p. 1-8, 20 mar. 2019. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1007/s11883-019-0779-5.

HU, Frank B.; OTIS, Brett O.; MCCARTHY, Gina. Can Plant-Based Meat Alternatives Be Part of a Healthy and Sustainable Diet? Jama, [S.L.], v. 322, n. 16, p. 1-2, 22 out. 2019. American Medical Association (AMA). http://dx.doi.org/10.1001/jama.2019.13187.

LYNCH, Heidi; JOHNSTON, Carol; WHARTON, Christopher. Plant-Based Diets: considerations for environmental impact, protein quality, and exercise performance. Nutrients, [S.L.], v. 10, n. 12, p. 1-16, 1 dez. 2018. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/nu10121841. Disponível em: https://www.mdpi.com/2072-6643/10/12/1841/htm. Acesso em: 09 jun. 2021.

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SATIJA, Ambika; BHUPATHIRAJU, Shilpa N.; SPIEGELMAN, Donna; CHIUVE, Stephanie E.; MANSON, Joann E.; WILLETT, Walter; REXRODE, Kathryn M.; RIMM, Eric B.; HU, Frank B.. Healthful and Unhealthful Plant-Based Diets and the Risk of Coronary Heart Disease in U.S. Adults. Journal Of The American College Of Cardiology, [S.L.], v. 70, n. 4, p. 411-422, jul. 2017. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.jacc.2017.05.047. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5555375/pdf/nihms885801.pdf. Acesso em: 09 jun. 2021.

SONG, Mingyang; FUNG, Teresa T.; HU, Frank B.; WILLETT, Walter C.; LONGO, Valter D.; CHAN, Andrew T.; GIOVANNUCCI, Edward L.. Association of Animal and Plant Protein Intake With All-Cause and Cause-Specific Mortality. Jama Internal Medicine, [S.L.], v. 176, n. 10, p. 1453-1463, 1 out. 2016. American Medical Association (AMA). http://dx.doi.org/10.1001/jamainternmed.2016.4182.

SWEDISH NATIONAL FOOD AGENCY (LIVSMEDELSVERKET). Food and Agriculture Organization of The United Nations. Food-based dietary guidelines: food-based dietary guidelines - Sweden. Food-based dietary guidelines - Sweden. 2015. Disponível em: http://www.fao.org/nutrition/education/food-dietary-guidelines/regions/countries/sweden/en/. Acesso em: 10 jun. 2021.

 

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