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Consumo de leite: novas perspectivas

Consumo de leite: novas perspectivas
Academia da Nutrição
fev. 2 - 11 min de leitura
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O leite é reconhecido como o alimento mais completo da natureza, sendo evidenciado como importante fonte de nutrientes para o desenvolvimento humano em qualquer fase da vida.

Atualmente, esse alimento é notabilizado sob novas perspectivas, devido à extensa variedade de compostos bioativos presentes no leite in natura e em seus derivados.

Quando os nutrientes envolvem não só uma função, mas também uma ação no organismo, e essa ação pode resultar em benefícios à saúde, esses são denominados compostos bioativos.

E o alimento que possui compostos bioativos pode ser classificado como alimento funcional.

 

O leite e os benefícios de seus compostos bioativos

Os compostos bioativos do leite incluem os minerais, vitaminas, lactose, oligossacarídeos, lipídios e a fração proteica do leite, representada pelas enzimas, imunoglobulinas, fatores de crescimento e citocinas, lactoferrina, caseína e whey proteins (proteínas do soro do leite).

As proteínas do leite podem ser divididas em caseínas e whey proteins (proteínas do soro do leite). As caseínas podem ser encontradas na forma de α, β e k-caseína e as proteínas do soro podem ser encontradas na forma de α-lactalbumina, β -lactoglobulina e lactoferrina.

Os peptídeos bioativos derivados do leite podem desempenhar um papel funcional no organismo, com efeito antitrombótico, anti-colesterolêmico e anti-hipertensivo, sendo importantes para a saúde cardiovascular e na prevenção da aterosclerose.

Outros benefícios incluem a sua capacidade imunomodulatória e citomodulatória, papel na saúde óssea, por meio dos peptídeos transportadores de cálcio e da lactoferrina, além do controle do peso corporal, com a atuação dos glicomarcopeptídeos que induzem à saciedade.

Já em relação aos oligossacarídeos do leite, alguns benefícios descritos incluem os efeitos probifidogênicos prebióticos, antiaderência de bactérias patogênicas e imunomodulação.

Nesse contexto, o estímulo ao consumo do leite pode representar uma estratégia nova e viável para o manejo desses diversos fatores de risco em grandes populações, também por ser um alimento que faz parte do hábito alimentar de muitos indivíduos.

 

Benefícios do leite nas diferentes fases de vida

A partir do primeiro ano de vida, o leite de vaca pode fazer parte de uma dieta saudável, fornecendo nutrientes importantes e apoiando o crescimento infantil.

Existem evidências de que a ingestão de leite e derivados pode estimular o crescimento linear e aumentar a estatura na vida adulta, principalmente em estudos realizados em países de baixa e média renda, pois nesses locais o leite pode ser a principal fonte proteica da dieta.

 

Diversos componentes do leite de vaca são sugeridos para estimular o crescimento: proteína de alta qualidade e minerais biodisponíveis.

 

Foi observado que o consumo de leite e derivados pode resultar em aumento no peso corporal, da massa magra e ganho atenuado na porcentagem de gordura corporal em comparação com grupos controles, além de aumentar a probabilidade de atingir um fenótipo de corpo magro em crianças e adolescentes de 6 a 18 anos.

 

Na vida adulta, a ingestão de laticínios parece ter um efeito protetor sobre alguns fatores de risco cardiovascular, ou não é pior do que outras fontes de gordura saturada.

Ainda, o maior consumo de laticínios pode diminuir o colesterol total, reduzir a circunferência da cintura e aumentar a quantidade de lipoproteína HDL.

No entanto, também pode aumentar a LDL e os triglicerídeos, embora essas sejam pequenas alterações.

Em geral, os produtos lácteos, embora sejam fontes de gordura saturada, aparentemente têm um efeito diferente sobre alguns fatores de risco cardiometabólico do que outros alimentos fontes de gordura saturada.

 

Em relação ao envelhecimento da população, há um crescente desafio na área de inovação da indústria de alimentos para produzir produtos que atendam a essa demanda, principalmente em relação ao consumo de proteínas.

Isso porque o consumo inadequado desse nutriente somado à redução na habilidade de absorver e utilizar proteínas e às necessidades proteicas muito elevadas, devido à presença de inflamação e estresse oxidativo, poder levar a perda da funcionalidade muscular, esquelética e imune.

 

O incremento da necessidade proteica dos idosos pode variar de 25 a 150% quando comparado a adultos saudáveis.

 

Nesse contexto, o leite representa uma excelente fonte proteica que fornece grande quantidade do aminoácido leucina, envolvido na síntese da massa muscular.

Além disso, as proteínas do soro do leite são digeridas mais rapidamente, o que pode promover uma maior síntese proteica muscular quando comparadas às demais fontes de proteínas.

 

Desmistificando o consumo de leite em relação à saúde

Alguns mitos são envolvidos em relação ao consumo de leite e saúde.

As evidências científicas não suportam a afirmação de que o consumo de leite pode aumentar a secreção de muco e piorar desfechos respiratórios. Uma única exposição ao leite de vaca em crianças asmáticas e não asmáticas não está associada a sintomas, inflamação brônquica ou constrição brônquica em crianças não asmáticas e asmáticas.

Sobre a produção de muco, embora a textura do leite possa fazer algumas pessoas sentirem que o muco e a saliva estão mais espessos e difíceis de engolir, devido a ação das mucinas da saliva em contato com o leite, não há evidências suficientes que sustentem que o leite cause secreção excessiva de muco.

 

Assim, a literatura científica não apoia a eliminação de produtos lácteos da dieta de uma criança para a prevenção de sintomas respiratórios.

 

O consumo de leite desnatado e semidesnatado não está associado ao risco de desenvolver doenças cardiovasculares, doença arterial coronariana e infarto.

Ao mesmo tempo, o leite também apresenta inúmeros nutrientes que contribuem para desfechos positivos na saúde cardiometabólicas, como as proteínas do soro do leite, caseína, fosfolipídios, oligossacarídeos, vitamina D e cálcio.

No que se refere aos efeitos pró-inflamatórios do leite, os resultados encontrados na literatura científica são controversos. Alguns estudos que avaliam o aumento de marcadores inflamatórios (PCR, interleucinas, citocinas) em indivíduos saudáveis e com doenças metabólicas com o consumo de leite não encontraram aumento desses marcadores.

 

Não há evidências que sustentem que esse o consumo de leite e derivados aumente o risco para o desenvolvimento de câncer de mama. Para o câncer de próstata, os resultados também são inconclusivos.

 

Em relação ao câncer colorretal, o consumo de uma porção a mais de leite desnatado parece ter efeito protetor, reduzindo em 10% o risco de desenvolver esse tipo de câncer. Da mesma forma, um consumo moderado a alto de leite e de leite fermentado está associado a um menor risco de desenvolver câncer de bexiga.

 

Nenhum alimento por si só é responsável por curar, tratar ou prevenir alguma doença, pois essas questões têm relação com o padrão alimentar e estilo de vida do indivíduo.

 

No desenvolvimento de câncer, por exemplo, existem inúmeras variáveis envolvidas.

Assim, o importante é a promoção de um padrão alimentar saudável, com base em alimentos in natura e o leite pode ser parte da dieta, dentro das porções recomendadas, entregando nutrientes, principalmente minerais e proteínas, que irão atuar positivamente na saúde do indivíduo.

 

A tecnologia garante segurança e qualidade do leite

O leite UHT consagrou-se como uma alternativa altamente segura e confiável para o consumo de leite no Brasil e essa tecnologia prolonga a vida de prateleira do leite e dispensa a utilização de conservantes.

A ultrapasteurização é um processo térmico que garante a eliminação de todos os micro-organismos, inclusive os esporulados, o que torna o leite seguro para consumo.

Em alguns casos há adição de estabilizantes, como o citrato de sódio, que é permitido pela legislação brasileira. Dependendo da qualidade do leite utilizado, esse aditivo é utilizado com o objetivo de garantir a estabilidade das proteínas durante o processo pois, sem a adição de estabilizante ocorre a formação de precipitados proteicos no fundo da embalagem.

 

A embalagen cartonada é composta por 6 camadas de proteção, dentre elas uma de alumínio, cuja função é evitar a passagem de oxigênio, luz e micro-organismos. Trata-se de uma embalagem de alta qualidade que impede a entrada de ar, odores e bactérias.

Os produtos em embalagens cartonadas assépticas são seguros e higiênicos e, ao mesmo tempo, evita a perda de aromas e inibe a oxidação do alimento, que poderia prejudicar a sua qualidade.

 

A alteração do valor nutricional do leite submetido ao processo UHT é um tema estudado na literatura científica.

De acordo com o International Dairy Federation (IDF), muitas pesquisas indicam que leite UHT apresenta a mesma qualidade proteica que o leite cru.

O tratamento térmico pode alterar a forma espacial (conformação terciária) de algumas proteínas do leite, porém esse efeito não altera o valor nutricional da proteína, podendo até melhorar a sua digestibilidade.

 

Por outro lado, a tecnologia de alimentos pode auxiliar no processo de fortificação de alimentos com importante papel na saúde pública, com adição de vitaminas, como A e D, e minerais, como o cálcio e ferro, na prevenção e reversão de quadros de deficiências nutricionais.

 

Artigo escrito por Dra Carolina Pimentel, nutricionista, em parceria com Tetra Pak

 

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Referências Bibliográficas:

PIMENTEL, C.V. de M.B.; ELIAS, M.F.; PHILIPPI, S.T. Alimentos funcionais e compostos bioativos. Barueri: Manole, 2019.

PARK, Y, W.; NAM, M.S. Bioactive Peptides in Milk and Dairy Products: A Review. Korean J. Food Sci. An., v.35, n.6, p.831-840, 2015.

MOHANTY D.P.; MOHAPATRA, S.; MISRA, S.; SAHU, P.S. Milk derived bioactive peptides and their impact on human health – A review. Saudi Journal of Biological Sciences, v.23, n.5, p.577-583, Pages 577-583, 2016. doi: 10.1016/j.sjbs.2015.06.005.

GRENOV, B.; LARNKJÆR, A.; MØLGAARD, C.; MICHAELSEN, K.F. Role of Milk and Dairy Products in Growth of the Child. Nestle Nutr Inst Workshop Ser., v.93, p.77-90, 2020; 93:77-90. doi: 10.1159/000503357.

PADDON-JONES, D.; LEIDY, H. Dietary protein and muscle in older persons. Curr Opin Clin Nutr Metab Care., v.17, n.1, p.:5-11, 2014. doi: 10.1097/MCO.0000000000000011.

 

 

 

 


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