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O que você já sabe sobre o ENANI e avaliação do estado nutricional em crianças?

O que você já sabe sobre o ENANI e avaliação do estado nutricional em crianças?

Importante inquérito brasileiro, aponta que 10% das crianças brasileiras até 5 anos e mais de 50% das mães biológicas, estão acima do peso. Esses dados fazem parte do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI),  o qual vamos comentar seus resultados nesse artigo.

 

O que é o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil?

O ENANI-2019 é coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e a Universidade Federal Fluminense, e conta com a parceria de dezenas de universidades e instituições públicas de todo o Brasil.

Trata-se de um inquérito populacional de base domiciliar que avaliou as práticas alimentares e o estado nutricional de crianças menores de 5 anos e suas mães biológicas.

A amostra da pesquisa foi de 14.558 crianças e 12.155 mães biológicas, em 12.524 domicílios de 123 municípios, dos 26 Estados e Distrito Federal brasileiros.

Foram coletados, os dados de peso e altura, de todas as amostras e, a partir disso, foram descritas as seguintes prevalências:

  • peso para idade em menores de 5 anos;

  • altura para idade em menores de 5 anos e mães adolescentes;

  • índice de massa corporal (IMC) para idade em menores de 5 anos e mães adolescentes; 

  • índice de massa corporal de mães adultas;

 

O que foi observado nas crianças?

Enquanto os resultados apontam uma prevalência de peso elevado pra idade de 5% das crianças menores de 5 anos em todo Brasil, a prevalência de baixo peso para idade foi de 2,9%.

 

Sendo que as maiores porcentagens encontradas foram nas regiões Nordeste e Sudeste (3,2% e 3,1%, respectivamente) e a menor (1,8%) foi na região Sul.

 

Já nos índices de altura pra idade, foi encontrada uma prevalência de 7%, para baixa altura para idade em crianças menores de 5 anos no Brasil.

Ainda foi observada uma diferença estatística, do mesmo indicador, entre as faixas etárias de 0 a 11 meses (9%), 12 a 23 meses (10,2%), 36 a 47 meses (5,8%) e 48 a 59 meses (3,4%). 

No que diz respeito ao IMC por idade, foi identificada a prevalência geral de magreza em crianças menores de 5 anos, de 3%. Tal percentual também representa a prevalência de obesidade encontrada.

Além disso, a prevalência, para o mesmo grupo o sobrepeso foi de 7% e a de risco de sobrepeso é de 18,5%.

Por fim, a prevalência de excesso de peso, o que corresponde a sobrepeso e obesidade juntos, em crianças menores de 5 anos foi de 10,1%.

 

Há também registros de algumas diferenças estatisticamente significativas:

  • A região Norte teve a menor prevalência de magreza em crianças menores de 5 anos;

  • A prevalência de risco de sobrepeso foi maior na regiões Sul e Sudeste, com 22,2% e 18,4%, respectivamente, contra a prevalência do Centro-Oeste de 14,5%, menor número encontrado;

  • A região Sul e Centro-Oeste também registraram a maior e menor prevalência de sobrepeso (8,5% e 4,9%).

 

O que o estudo identificou sobre as mães?

A pesquisa também avaliou as práticas alimentares e estado nutricional das mães biológicas dessas crianças menores de 5 anos. 

Sendo assim, foram feitas as medições antropométricas e as mulheres foram classificadas de acordo com seu IMC, seguindo as recomendações da OMS e, no caso de mães adolescentes (menores de 20 anos), foi analisado o IMC por idade e altura por idade. 

A prevalência registrada de baixo peso foi de 3%, com diferença estatística importante entre a região de menor prevalência, Sul (1,6%), e a de maior prevalência, Centro-Oeste (3,7%).

Já a prevalência de sobrepeso entre as mães adultas foi de 32,2%, e entre as mães adolescentes de 23,9%.

Para a obesidade, foram encontrados os valores de 26,3%, para mães com filhos menores de 5 anos no Brasil e 11,3% para aquelas que tinham menos de 20 anos.

Já nas macrorregiões os valores observados foram de: 19% na Região Norte, 25% na Região Nordeste, 23,8% no Centro-Oeste, 28,3% no Sudeste e 31,1% na Região Sul. 

Por fim, a prevalência do excesso de peso foi de 58,6% no Brasil!

Ainda, a região que apresentou menor prevalência foi a Nordeste, altos 50%, mas ainda com uma diferença estatisticamente significativa se comparada à maior prevalência, de 62% na região Sul. 

 

Por que dar atenção a esses números?

Tais prevalências são importantes indicadores de saúde da população.

A avaliação do estado nutricional de uma comunidade diz muito sobre a qualidade de vida, acesso à informação e alimentação de qualidade, entre outros.

Além disso, já é do conhecimento geral que a alimentação pode influenciar e até determinar de forma positiva ou negativa a saúde de uma pessoa e consequentemente da população.


Nutricionista, você já tinha conhecimento desse inquérito?

É fundamental que estejamos cientes desses números, afinal são eles que nos mostram como a população com que trabalhamos se encontra, e dessa forma, melhor conduzimos as estratégias e ações na nutrição.

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Referência bibliográfica:

Uversidade Federal do Rio de Janeiro. Estado Nutricional Antropométrico da Criança e da Mãe: Prevalência de indicadores antropométrico de crianças brasileiras menores de 5 anos de idade e suas mães biológicas: ENANI 2019. [homepage internet]. Rio de Janeiro, RJ: UFRJ, 2022. (96 p.). Acesso em 02 Mar 2022. Disponível em: https://enani.nutricao.ufrj.br/index.php/relatorios/

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